segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sand castle




Eu tenho o dom de afastar as pessoas.
Eu tenho o péssimo hábito de não amá-las o bastante...
Ou de amá-las demais.
Sou demasiadamente intensa e volátil. Características
que tem levado tudo o que prezo, como uma forte
correnteza ou um incêndio voraz.

Eu sou a merda de um castelo de areia.


E ninguém sabe o quanto eu quero derrubá-lo.


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Castelo de areia



- Você não sabe o quanto dói.

- As lembranças?

- Não, o vazio.

Me sinto vazia de tudo o que um dia considerei como parte irrevogável de mim. Plena... De um abismo profundo, que me distancia do meu próprio eu, dessa pessoa ambígua, volátil e imprevisível que, em sua incansável busca por compreender as pessoas e o universo a sua volta, nunca foi capaz de compreender sequer a si mesma.

- Você sempre se considerou dona da verdade?

- Sim.

- E o que isso te rendeu?

- Solidão.

Saudades...



Saudades do meu cabelo, dos meus amigos, da minha simplicidade. Saudade de cada detalhe forte ou irrelevante que compunha aqueles tempos... Saudades do que não tenho mais, do que nunca mais será meu.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Polissêmica



VIVER é tão esplêndido que não me interessam os problemas, não me importa essa fúria latente que pulsa dentro do meu peito... Pois eu possuo o dom de transformá-la em tudo o que eu desejar... E eu a converto em AMOR... Em amor incondicional, em alegria de estar vivo, em pura impulsividade, em sensação de liberdade e nessa loucura sublime que me invade com uma doçura amarga. Eu rio de mim mesma, debocho de minhas angustias e de minhas frustrações... Eu caminho sem rumo, falo sonzinha, sobre coisas sem sentido... Amo, me dano, rio, me embriago, caio, levanto, me perco... Só para me reencontrar nos mesmos braços, nos mesmos olhos, no mesmo sorriso... Nos mesmos beijos. Eu amo. Todos os dias, o mesmo homem... Do meu jeito torto, do MEU JEITO. Sou cética, louca e dona de mim. Seleciono NO QUE acreditar. Não desperdiço o meu tempo, não acredito nas pessoas, não digo palavras tolas, não faço nada em vão. Não me escondo por detrás de mentiras, não sou influenciável, enxergo mais do que a mim mesma. Sou forte e vulnerável. Não tenho medos tolos mas tenho medo de tudo. Não me interessa o que você pense, desde que não discorde da minha opinião... Sou inconstante e imutável. Sou sagaz e estúpida. Sou sóbria e demente. Sou tudo e nada, o que sou e o que nunca serei. Uma eterna incógnita. Sou FELIZ.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cubo mágico



A vida é como um desses cubos mágicos... Gastamos horas, semanas, anos... Tentando dispô-la de forma perfeita, tarefa que nunca conseguimos completar. E acabamos morrendo com uma certa sensação de que não vivemos... De que não houve alegrias o bastante, de que as experiências não foram satisfatórias, de que as pessoas importantes não ocuparam o papel fundamental que deveriam... Sentimos que há muito o amor se tornou segundo plano, pois as prioridades foram pouco-a-pouco se invertendo. Mas a verdade é que estávamos ocupados demais, olhando para dentro de nós mesmos, egocentrados em nosso próprio cubo mágico, para enxergarmos qualquer coisa alem do perímetro de nossa então insuficiente existência.

Todos os que amávamos foram embora.

Cada segundo privilegiado que tivemos cessou.

Para que serve um cubo mágico sem suas cores?


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Humanamente desumanos





Hoje eu decidi matar todos os meus sonhos, todos os meus anseios, todas as minhas recordações. Hoje eu decidi matar tudo de vocês que ainda existe em mim. Hoje eu decidi matar toda a minha alegria. Hoje eu decidi deixar um mundo triste em que nada é possível para quem não tem dinheiro ou poder. Um mundo para o qual eu nunca fui nada. Vocês também não são mais nada para mim. Não quero que reste neste universo imundo nem um vestígio de minha boa intenção, de meu frustrado anseio por fazer com que tudo parecesse diferente. Vocês são naturalmente maus. Corrompem e se deixam corromper. São naturalmente gananciosos. Podres. Sem amor. Não é mais viável negar o que já me parece tão claro. Eu os amei. É uma lastima apenas, que não saibam mais o que é o amor. Já não há mais tempo para continuarem a mentir para si mesmos. É tempo de vestir sua própria pele, e assumir o que sempre lhes foi inato. VOCÊS NUNCA FORAM BONS E NUNCA SOUBERAM AMAR.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mais um dia



Tenho ânsia por sentir o vento tocar meu corpo,

Sentir meu corpo, tocar o chão.

Não quero morrer, não quero viver.

Não quero ir para casa, nem permanecer aqui.

Eu tenho um desejo profundo,

Uma vontade insaciável...

Pelo nada.

O vazio domina minha mente

As pessoas já não são mais como antes

Eu, não sou mais como antes.

No âmago de meus desejos implícitos

Ou de sua total inexistência...

No cerne de tudo o que não fui

E de tudo que nunca fui capaz de ser.

Vontade de fechar os olhos,

E nunca ter existido.

O sono e o cansaço

Dominam o meu corpo

Eu me deixo cair sobre o nada

Em minha mente, vans lembranças

De mais um dia que morre,

Exatamente como nasceu:

Com o mesmo ímpeto das coisas,

Cuja a existência já era desnecessária.